quinta-feira, 3 de julho de 2008          
 
    O pastor de 53 anos que insultou e ameaçou uma juíza do Tribunal de Vila Real foi hoje condenado a uma pena de 10 meses de prisão efectiva, mas já anunciou que vai recorrer da sentença.
    Durante a leitura da sentença no Tribunal de Vila Real, o juiz Rui Carvalho salientou o “total desrespeito pelos tribunais e autoridades” demonstrada pelo arguido Diamantino Afonso, residente na localidade de Gache.
 
    Para a aplicação dos 10 meses de prisão efectiva também contribuíram os antecedentes criminais do pastor, que já foi julgador anteriormente por posse de arma ilegal, furto em residência e ameaça.
 
    Há cerca de um ano no Tribunal de Alijó, Diamantino Afonso atirou com uma coluna de som ao Juiz que o julgava num outro processo.
 
    O juiz também considerou que o arguido não demonstrou arrependimento.
 
    Diamantino Afonso já anunciou que vai recorrer da sentença, pelo que a entrada no estabelecimento prisional fica assim adiada.
 
    O seu advogado oficioso Paulo Braga referiu que vai estudar a sentença aplicada e que o recurso terá que dar entrada no tribunal no prazo de 20 dias.
    Foi no 26 de Junho que Diamantino Afonso, não gostando da multa de 600 euros aplicada pelo tribunal de Vila Real reagiu com gritos, insultos e ameaças à juíza do processo, Cristina Rodrigues.
 
    Depois de ter passado a noite nos calabouços da PSP, o indivíduo foi presente a tribunal para ser julgado em processo sumário acusado de um crime de coacção e outro de resistência à detenção.
 
    Diamantino Afonso estava inicialmente a ser julgado em Vila Real pelo crime de ameaças através de carta, mas mal acabou de ouvir a sentença que o condenou a uma pena de 600 euros, desatou aos gritos contra a magistrada do 3º Juízo, insultando-a e ameaçando-a.
 
    O funcionário judicial impediu o indivíduo de saltar a barra do tribunal e de se dirigir à magistrada.
 
    Este funcionário, que conseguiu segurar o arguido agarrando-o por detrás, foi auxiliado pelo chefe da PSP, Rui Barreira, que casualmente se encontrava no tribunal para intervir noutro julgamento.
 
    Ambos conseguiram pôr o indivíduo fora da sala de audiências, enquanto ele continuava a proferir insultos contra a magistrada, a qual se refugiou no seu gabinete, chegando mesmo a rasgar a camisola que o polícia envergava na altura.
 
    Refira-se que no Tribunal de Vila Real não há detector de metais, não há videovigilância, não há polícias nem segurança privada.
 
    A presença da polícia só é solicitada quando se prevê que alguma sentença pode gerar problemas, como aconteceu hoje, com o arguido a ficar sentado entre dois polícias enquanto o juiz lia a sentença.
 
    Este caso ocorreu precisamente na semana em que outros juízes foram agredidos depois da leitura da sentença num tribunal improvisado no edifício dos bombeiros de Santa Maria da Feira.
 
    Segundo a Associação Sindical de Juízes que este é o décimo sexto caso de violência em tribunais em todo o país num curto espaço de tempo.
 
    
    [Foto de Paula Lima]
 
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VILA REAL: Pastor que insultou juíza foi condenado a 10 meses de prisão efectiva