O Museu do Douro, na Régua, é um projecto “multifacetado, à escala da região”, disse hoje o director Maia Pinto durante a apresentação do edifício à comunicação social, a cerca de 15 dias da conclusão da obra principal.
"As obras principais no edifício da sede estarão concluídas dentro de cerca de 15 dias e já há condições de habitabilidade", adiantou o dirigente daquele museu.
Na sede do museu, que ocupa a Casa da Companhia, adquirida à Real Companhia Velha, já se vislumbram os vários espaços que poderão ser visitados a partir de 14 Dezembro, data em que irá ser inaugurado com uma exposição dedicada à figura do Barão de Forrester.
Ainda assim, “é um projecto que, como tudo no Douro, não está acabado, havendo sempre a possibilidade de melhorar e aumentar”, contou o director daquela unidade museológica.
Conjugando tradição com modernidade, o Museu do Douro irá contemplar uma biblioteca e arquivo de documentos, que incluirá o espólio de várias quintas em condições especiais.
Disporá ainda de um espaço para uma exposição temática anual, salas para consulta de livros, um salão para refeições e um edifício em anexo para serviço educativo.
Pé ante pé, percorrem-se as diversas divisões a serem acabadas, ainda “esventradas e com as tripas à mostra”, como descreveu o próprio director, e tudo sempre com o cheiro forte das tintas que não conseguem esconder os traços do passado.
Durante o processo de recuperação da Casa da Companhia, houve mesmo um “cuidado em preservar e manter a memória do próprio espaço”, contou Maia Pinto frisando ter sido seguida uma “doutrina de conservar o mais possível e adaptar”.
A parte mais complexa da obra "terá sido a escavação do piso subterrâneo, onde estavam as cubas de vinho", agora um espaço de reserva e depósito de documentos.
Homenagem às
personagens do Douro
Quando estiver concluído, os visitantes poderão “ver o Douro através da homenagem às suas personagens, das janelas vêem as paisagens com as vinhas e os socalcos, podem beber um bom vinho do Porto, uma peça importante, reavivar a memória e ser surpreendidos com milhares de objectos e fazer de tudo o que a imaginação concluir”, explicou Maia Pinto.
“O papel importante de qualquer música, bem artesanal ou peça de museu é espicaçar a curiosidade”, realçou.
Em termos orçamentais, Maia Pinto congratula-se por seguir “conforme o programado, o que é excepcional [já que] não há muitas obras públicas que não resvalem fortemente”.
A construção da sede do Museu do Douro foi adjudicada à empresa João Fernandes da Silva e vai dispor de 7,5 milhões de euros - cinco milhões de euros para a obra física e 2,5 milhões para aquisição de equipamento.
Esperados 40 mil visitantes por ano
O director do Museu do Douro prefere não indicar um número específico de visitantes esperados, o qual terá de “ser calculado pela matriz das visitas escolares e turismo interno conjugado com os operadores do Rio Douro” com os quais terá amanhã uma reunião para que “passem a considerar o museu como edifício de referência”.
Ainda assim referiu que “40 mil (visitantes por ano) é um número razoável”.
Para o director desta unidade museológica, o Museu do Douro será “um instrumento agregador e de coesão para a região, através da cultura, investigação, memória e exposições [que] são vitais alavancas à vida económica e social de toda a região” do Alto Douro Vinhateiro.
Como Museu de Território, representa a área da Região Demarcada do Douro, com “a essência do museu em todo o território”, pelo que numa primeira fase está prevista a criação de 11 núcleos museológicos que ficarão espalhados pela região.
Serão criados os núcleos do Pão e do Vinho (em Favaios), da Gastronomia (Lamego), do Caminho de Ferro (Barca de Alva), da Electricidade (Vila Real), da Amêndoa (em Vila Nova de Foz Côa), do Arrais e da Cereja (em Resende), do Vinho (em S. João da Pesqueira), da Seda (em Freixo de Espada à Cinta), do Somagre (Vila Nova de Foz Côa), de Barqueiros (Mesão Frio) e o Museu do Imaginário (em Tabuaço).
Estes núcleos terão uma programação integrada com o Museu do Douro, de forma a potenciar iniciativas dispersas e estimular a itinerância de exposições e outras acções culturais.
A sede do Museu do Douro divide-se por três espaços: o edifício da Casa da Companhia, o antigo Armazém 43, cedido pelo Instituto do Vinho do Porto, e o Teatrinho da Régua - um edifício que data de Novembro de 1912 e que será restaurado.
No antigo Armazém 43, Edifício do Solar do Vinho do Porto, está já patente a exposição permanente intitulada «Memória da Terra e do Vinho» e que serve de ponto de partida para a descoberta da região do Alto Douro Vinhateiro, classificada como Património Mundial pela UNESCO em 2001.
A grande aposta para o dia da inauguração do Museu do Douro - 14 de Dezembro - é a exposição dedicada ao Barão de Forrester, que será a primeira das mostras temáticas anuais no espaço e que resulta de um longo processo de investigação.
Maia Pinto adiantou que a esta seguir-se-ão exposições sobre o Rio Douro e a Real Companhia Velha, “sempre sobre grandes figuras do Douro”.
Também no âmbito da rede de museus está agendado o I Encontro de Museus da Vinha e do Vinho, que irá decorrer entre os dias 9 e 10 de Outubro em Peso da Régua e São João da Pesqueira.
Em paralelo estão previstas outras exposições por toda a região – Auditório do Centro Cultural de Vila Flor, Auditório do Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa, Museu da Vila Velha em Vila Real, Museu Municipal Carmen Miranda em Marco de Canaveses e Auditório Municipal de Freixo de Espada-à-Cinta.
[Fotos de João Miranda/Lusa]